«Um contributo para uma compreensão mais ampla dos fenómenos criminais» | Apresentação «A mente criminosa»

Apresentação «A mente criminosa» de Paulo Finuras na FNAC Colombo. Com Susana Pinto de Almeida (Psiquiatra Forense), de João Cabaço (Especialista de Polícia Científica) e de José Carlos Antas (Perito Forense – Polícia Judiciária).
Autor(es): Paulo Finuras

Decorreu na FNAC Colombo no passado dia 23 de março a sessão de apresentação do livro «A Mente Criminosa – As Origens da Violência, do Engano e do Crime», de autoria de Paulo Finuras.

A apresentação contou com as intervenções de Susana Pinto de Almeida (psiquiatra forense), João Cabaço (especialista de Polícia Científica) e José Carlos Antas (perito forense da Polícia Judiciária).

Susana Pinto de Almeida começou por destacar a capacidade do livro para construir uma ponte rara entre diferentes áreas do conhecimento. Na perspetiva da psiquiatria forense, considerou que a obra coloca o problema no lugar certo: a mente humana. Sublinhou que, embora não seja possível alterar a natureza humana, é possível intervir sobre os contextos que influenciam os comportamentos, tornando o livro um importante contributo para essa reflexão.

João Cabaço centrou a sua intervenção na figura do autor e na relevância da divulgação científica. Defendeu que o conhecimento constitui o primeiro passo para combater a ignorância e os extremismos, destacando a capacidade de Paulo Finuras para tornar acessíveis temas complexos. Sobre a obra, referiu que não oferece respostas confortáveis nem simplistas, procurando antes explorar as raízes profundas dos problemas. Classificou-a como uma leitura intensa e complexa, mas simultaneamente acessível e envolvente.

José Carlos Antas apresentou o livro como uma obra de consulta, abrangente e útil para diferentes públicos. Destacou a influência das fronteiras culturais na definição do crime, salientando que os comportamentos são avaliados de forma distinta em função os enquadramentos legais e culturais de cada sociedade. Nesse sentido, considerou que o livro contribui para uma compreensão mais ampla dos fenómenos criminais.

Por fim, o autor na sua intervenção abordou o problema da insuficiente literacia científica na explicação do comportamento humano. Explicou o conceito do “triângulo do crime”, defendendo que a mitigação da criminalidade passa frequentemente pela adaptação dos ambientes e dos contextos em que os comportamentos ocorrem. Referiu ainda o fenómeno do crime de colarinho branco, caracterizando-o como uma forma de criminalidade proativa que exige planeamento e preparação, tendo referido que os sistemas judiciais nem sempre estão preparados para acompanhar a crescente complexidade deste tipo de crime, sendo necessário que evoluam para poder agir sobre ele.

Paulo Finuras destacou também a inclusão de um glossário no final da obra, concebido para facilitar a compreensão dos conceitos abordados. Sublinhou que o livro se dirige não apenas aos profissionais ligados às áreas da criminologia, psicologia, justiça e segurança, mas também ao público em geral interessado em compreender melhor o comportamento humano. Concluiu lembrando que, apesar das profundas transformações ocorridas no mundo contemporâneo, a mente humana permanece, em muitos aspetos fundamentais, semelhante à de há milhares de anos.

A sessão terminou com um vasto conjunto de perguntas e respostas entre o público, os apresentadores e o autor.

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