Decorreu no passado dia 23 de maio, na Fábrica das Palavras em Vila Franca de Xira, a sessão de apresentação do livro «Sociedade sem Ecrãs – Como a mediação digital está a transformar a experiência humana», de Joaquim Fialho.
A apresentação contou com as intervenções de Manuela Ralha, Mariana Reis, José Domingos Ramalho e Catarina Marcelino, que partilharam diferentes perspetivas sobre os desafios colocados pela crescente mediação tecnológica na vida contemporânea.
Na sessão de abertura, Manuela Ralha destacou que, partindo da temática dos ecrãs, o livro conduz inevitavelmente a uma reflexão mais ampla sobre a sociedade atual, as suas transformações e os desafios que enfrenta.
Mariana Reis centrou a sua intervenção no impacto da tecnologia no contexto familiar, alertando para os riscos da perda de vínculos e relações significativas caso não sejam tomadas medidas conscientes. Considerou a obra provocadora e desafiadora, convidando os leitores a um exercício de reflexão e autocrítica. Sublinhou ainda que é o contacto com o outro que nos torna verdadeiramente humanos, e não a tecnologia, destacando simultaneamente a sólida base científica do livro e a sua linguagem acessível. Na sua perspetiva, trata-se de uma obra que sensibiliza e capacita os leitores para compreenderem melhor este fenómeno.
Catarina Marcelino descreveu o livro como uma obra muito completa e abrangente, que evidencia o profundo conhecimento do autor sobre o tema. Alertou para os riscos que a crescente dependência tecnológica pode representar para a organização social tal como a conhecemos, bem como para a própria democracia. Referiu a influência dos algoritmos e das dinâmicas de manipulação da informação, defendendo que uma democracia saudável depende da existência de pensamento crítico e de cidadãos capazes de questionar os conteúdos que consomem.
José Domingos Ramalho salientou a capacidade da obra para inquietar e desafiar os leitores, classificando-a como um livro que desassossega. Ao mesmo tempo, considerou que a reflexão proposta pelo autor abre espaço à esperança e à possibilidade de mudança. Destacou ainda o paradoxo de uma sociedade cada vez mais hiperconectada, mas simultaneamente mais distante da socialização presencial e das relações humanas diretas.
Na sua intervenção, Joaquim Fialho explicou que o livro não é, na essência, uma obra sobre tecnologia, mas antes sobre a condição humana e sobre a forma como esta está a ser transformada pelas dinâmicas tecnológicas contemporâneas. Referiu que um dos principais objetivos da obra é refletir sobre a recuperação da atenção e da capacidade de presença, aspetos cada vez mais ameaçados pela dispersão digital. Sublinhou ainda o caráter prático do livro, destacando que cada capítulo inclui uma reflexão destinada a ajudar os leitores a melhorar a sua relação com a tecnologia e com os outros.
A sessão terminou com uma participada ronda de perguntas e respostas, marcada pela forte intervenção do público. Para além das questões colocadas ao autor e aos apresentadores, vários participantes partilharam experiências pessoais relacionadas com o impacto da tecnologia no quotidiano, contribuindo para um debate vivo e enriquecedor sobre os temas abordados na obra.